A grande infraestrutura tecnológica para a Copa de 2014 PORTAL COPA 2014 – WEB – 09/09/10

18 set

Brasil precisa investir pesado para garantir estabilidade dos sistemas no Mundial e Jogos Olimpícos
Cezar Taurion*
Megaeventos esportivos como a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada no Rio de Janeiro em 2016 demandarão uma pesada infraestrutura de tecnologias de informação e comunicação (TIC). Em 2014, o maior evento midiático do planeta terá o desafio de transmitir a partir das cidades brasileiras som e imagem em alta definição para televisores, computadores e dispositivos móveis espalhados por todo o mundo. Como a evolução tecnológica é muito rápida, fica até difícil prever que tipo de aparelho ou tecnologia estará na moda em 2014 e 2016.
O último Mundial, na África do Sul bateu recordes de audiência de notícias na Web e apresentou novas formas de acompanhamento dos jogos. O Twitter foi uma das grandes sensações da Copa. O termo #worldcup ocupou lugar cativo no ranking e os nomes das seleções chegavam, durante as partidas, no Top 10. Enquanto a média de mensagens por segundo no Twitter é de 750, na Copa chegou a 3283, quando do gol do Japão contra a Dinamarca.
Uma rápida passagem pelos Mundiais anteriores mostra que como é difícil prever as novidades tecnológicas do próximo. Se voltarmos à Copa de 1950, apenas 200 mil pessoas viram o jogo final. Não havia transmissão ao vivo pela TV e as únicas testemunhas visuais eram as pessoas que estavam no estádio. Em 1970 a transmissão era em preto e branco. Já a Copa de 1994 foi á última sem a Web.
Para suportar todo este aparato tecnológico, uma massiva rede de computadores atuando no modelo de computação em nuvem deverá estar operando na retaguarda.
Em 1998 a conexão padrão era via modems de 56k e as pessoas conversavam pelo ICQ. O Hotmail era recente (1996) e o Google só existiria após a Copa. Em 2002 os blogs estavam no auge e o ICQ tinha sido substituído pelo MSN. Mas a Copa de 2002 viu a estréia do Wi-Fi nos estádios, o que permitiu que uma foto de um gol fosse para a Internet em menos de dois minutos. Em 2006 já tínhamos Facebook, Orkut e o YouTube e assistíamos ao surgimento do Twitter. A banda larga já existia, mas praticamente não havia entrado no Brasil.
Mas a Copa de 2006 inaugurou a convergência das mídias eletrônicas e foi também a primeira totalmente gerada com imagens de alta definição. Em 2010 a Internet não estava apenas em computadores, mas nos smartphones (iPhone que apareceu em 2007) e iPad. O Facebook já alcançou 500 milhões de usuários (se fosse um país, teria a terceira maior população do mundo, perdendo apenas para China e Índia) e a transmissão ao vivo pela Internet é uma realidade. A Copa de 2010 também foi a primeira em que a TV não mais pautava as notícias, mas sim a Internet.
E em 2014? Podemos com certeza pensar em uma televisão de alta definição, interativa e com integração com as redes sociais, mas também será a vez da mobilidade. Já na Olimpíada de Londres, em 2012, a mobilidade será a tecnologia da vez, tanto que o evento está sendo chamado de “The Mobile Games”. Em 2014 as atuais redes 3G provavelmente estarão ultrapassadas tecnologicamente e os turistas poderão chegar aqui com dispositivos 4G com altíssima velocidade de transmissão.
Hoje são cerca de onze milhões de assinantes banda larga no país, com uma densidade de apenas seis conexões velozes para cada grupo de 100 habitantes. Em países desenvolvidos a média está acima dos 25 para cada 100.
O fato é que esta pesada infraestrutura de TIC terá que suportar o tráfego de conteúdo multimídia em banda realmente larga e dar vazão a imensa base de usuários conectados via redes sociais, que estarão compartilhando informações, vídeos e mensagens. Para suportar todo este aparato tecnológico, uma massiva rede de computadores atuando no modelo de computação em nuvem deverá estar operando na retaguarda. Este modelo é mais adequado, pois existe um pico de demanda no período dos jogos, caindo dramaticamente após seu encerramento.
Os desafios são imensos. Um deles é o suporte ao crescimento das redes móveis de alta velocidade. Em 2014 e 2016 já veremos turistas desembarcando por aqui com smartphones demandando velocidades que não temos hoje. O número de pessoas conectadas via dispositivos móveis será muito maior em 2014. Segundo a Fifa, em 2006, a Copa teve uma audiência acumulada de 23,6 bilhões de pessoas. Em 2014, estima-se que além das TVs de alta definição e capacidade interativa, deverão haver em todo o mundo cerca de 2,25 bilhões de computadores e mais de seis bilhões de celulares. Alguns estudos apontam que o crescimento da banda larga no mundo será de 176% entre 2007 e 2012. A Internet é, portanto, um ponto crítico que deverá ser vista com toda atenção, para garantir que os serviços de mídia sejam entregues em todo o mundo com padrão internacional.
Hoje são cerca de onze milhões de assinantes banda larga no país, com uma densidade de apenas seis conexões velozes para cada grupo de 100 habitantes. Em países desenvolvidos a média está acima dos 25 para cada 100. Nossa banda larga é uma das piores do mundo, sendo cara, lenta e mal distribuída. Em um ranking de 42 países, ficamos em 38º lugar. Nas cidades-sede existem ainda gargalos: Manaus, por exemplo, não tem opções de rota alternativa, caso ocorra algum problema na rede.
A infraestrutura a ser pensada e instalada vai além dos estádios. Como teremos uma Copa baseada em tecnologias de mobilidade, várias questões devem ser resolvidas
Para atender aos megaeventos, os investimentos em infraestrutura de comunicações deverão ser bem elevados. Nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, houve um pico de 220 mil chamadas simultâneas na abertura do evento. Para efeito de comparação, em São Paulo ocorrem hoje entre 60 e 80 mil chamadas simultâneas. Claro que haverá uma demanda imensa no período dos jogos, voltando à normalidade logo depois. Os estádios precisarão de redes de fibra ótica para conexão com o centro de mídia.
A infraestrutura a ser pensada e instalada vai além dos estádios. Como teremos uma Copa baseada em tecnologias de mobilidade, várias questões devem ser resolvidas, como o custo do roaming, que deve ser transparente aos turistas, e o uso de celulares para prover diversos serviços como compra de ingressos e passagens de transporte público. Os sistemas de apoio às transações eletrônicas bancárias e comerciais também deverão estar preparadas para um pico de uso no período dos jogos. As imensas oportunidades geradas pela combinação de tecnologias de mobilidade, GPS e mapeamento podem prover aos turistas e torcedores diversas e úteis funcionalidades, inclusive provendo mensagens de alertas e emergência em tempo real.
Por isso os projetos devem contemplar um planejamento de longo prazo, visando à demanda após os megaeventos. Além disso, as obras para a Copa e a Olimpíada devem se transformar em um legado positivo sem desperdício para o país.
Para atender aos requisitos de uma Copa altamente tecnológica, seria necessário ter um CIO (chief information officer) que trabalhe em parceria com as empresas prestadoras de serviço contratadas pela Fifa e gerencie as prospecções tecnológicas que serão implementadas. O objetivo é garantir que os turistas tenham as mesmas experiências tecnológicas em todas as cidades-sede.
*Cezar Taurion é economista, mestre em Ciências da Computação e gerente de Novas Tecnologias da IBM

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